{"id":312,"date":"2018-03-05T17:16:10","date_gmt":"2018-03-05T20:16:10","guid":{"rendered":"https:\/\/gerardotrindade.com.br\/blog\/?p=312"},"modified":"2018-03-05T17:24:37","modified_gmt":"2018-03-05T20:24:37","slug":"precisamos-falar-sobre-a-febre-amarela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gerardotrindade.com.br\/blog\/2018\/03\/05\/precisamos-falar-sobre-a-febre-amarela\/","title":{"rendered":"Precisamos falar sobre a febre amarela"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_313\" style=\"width: 905px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-313\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-313 size-full\" src=\"https:\/\/gerardotrindade.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/flu-shot-man-rotator.jpg\" alt=\"\" width=\"895\" height=\"503\" srcset=\"https:\/\/gerardotrindade.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/flu-shot-man-rotator.jpg 895w, https:\/\/gerardotrindade.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/flu-shot-man-rotator-300x169.jpg 300w, https:\/\/gerardotrindade.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/flu-shot-man-rotator-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 895px) 100vw, 895px\" \/><p id=\"caption-attachment-313\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>A<\/strong> febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a causada por v\u00edrus, transmitida por mosquito, muitas vezes mortal e na sua forma grave apresenta disfun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica, fal\u00eancia renal, dist\u00farbios de coagula\u00e7\u00e3o e choque.<\/em><\/p>\n<p><strong>O v\u00edrus da febre amarela<\/strong><\/p>\n<p>O v\u00edrus da febre amarela \u00e9 da fam\u00edlia Flaviviridae, um grupo de tamanho pequeno (40-60nm), com replica\u00e7\u00e3o no citoplasma das c\u00e9lulas infectadas. Pesquisadores do\u00a0Instituto Oswaldo Cruz\u00a0(IOC) identificaram oito muta\u00e7\u00f5es em sequ\u00eancias gen\u00e9ticas do v\u00edrus da\u00a0febre amarela\u00a0do surto de 2017, que est\u00e3o associadas a prote\u00ednas envolvidas na replica\u00e7\u00e3o viral. A comprova\u00e7\u00e3o foi feita a partir dos primeiros sequenciamentos completos do DNA\u00a0de amostras de dois macacos do tipo bugio encontrados em uma \u00e1rea de mata, no Esp\u00edrito Santo, no fim de fevereiro deste ano. Para os cientistas, as altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas n\u00e3o comprometem a efici\u00eancia da vacina contra a doen\u00e7a, mas v\u00e3o pesquisar se tornam o v\u00edrus mais agressivo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma vacina que j\u00e1 est\u00e1 sendo administrada h\u00e1 80 anos e que \u00e9 muito eficaz\u201d, contou Myrna Bonaldo, coordenadora do estudo e\u00a0chefe do Laborat\u00f3rio de Biologia Molecular de Flaviv\u00edrus do IOC. Ela explicou\u00a0que a altera\u00e7\u00e3o n\u00e3o\u00a0afeta prote\u00ednas alvejadas\u00a0por anticorpos instigados pela imuniza\u00e7\u00e3o.\u00a0\u201cEm qualquer lugar do mundo em que tem variantes do v\u00edrus de febre amarela, a vacina protege com a mesma efic\u00e1cia. Em princ\u00edpio, n\u00e3o muda nada\u201d.<\/p>\n<p>Agora, os estudos v\u00e3o continuar para verificar de que forma a varia\u00e7\u00e3o pode impactar na infec\u00e7\u00e3o em macacos, mosquitos e no homem. Outra pergunta que precisa ser respondida, de acordo com Myrna, \u00e9 se as mudan\u00e7as tornam o v\u00edrus mais agressivo, no sentido de infectar mais gravemente um hospedeiro, um vetor ou um mam\u00edfero. A pesquisadora apontou ainda que, at\u00e9 o momento, essas altera\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram descritas em nenhum v\u00edrus de febre amarela, quer seja os v\u00edrus da \u00c1frica ou da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p><strong>Transmiss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Cada f\u00eamea de mosquito inocula aproximadamente de 1.000 a 100.000 part\u00edculas virais durante a picada; a partir das c\u00e9lulas dendr\u00edticas iniciam a replica\u00e7\u00e3o, espalhando-se pelos canais linf\u00e1ticos e linfonodos regionais, alcan\u00e7ando diversos \u00f3rg\u00e3os atrav\u00e9s da dissemina\u00e7\u00e3o pelo sangue. Durante a fase vir\u00eamica (3-6<br \/>\ndias) a infec\u00e7\u00e3o pode ser transmitida a partir de nova picada de mosquito.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a aparece de forma abrupta ap\u00f3s 3-6 dias da picada do mosquito infectado e se caracteriza em tr\u00eas est\u00e1gios cl\u00e1ssicos: per\u00edodo de infec\u00e7\u00e3o, per\u00edodo de remiss\u00e3o e per\u00edodo de intoxica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Sintomas<\/strong><\/p>\n<p>O per\u00edodo de infec\u00e7\u00e3o caracteriza-se por viremia de 3-4 dias, febre, mal estar geral, dor de cabe\u00e7a, fotofobia, dor lombo-sacra, mialgia, anorexia, n\u00e1useas, v\u00f4mitos, irritabilidade e convuls\u00f5es. S\u00e3o sinais e sintomas inespec\u00edficos, indiferenci\u00e1veis de outras infec\u00e7\u00f5es agudas.<\/p>\n<p>O per\u00edodo de remiss\u00e3o ocorre ap\u00f3s pelo menos 48 horas da infec\u00e7\u00e3o aguda e \u00e9 definido pela diminui\u00e7\u00e3o dos sintomas, em especial a febre. O paciente se recupera.<br \/>\nAproximadamente 15% dos indiv\u00edduos infectados com o v\u00edrus da febre amarela evoluem para o terceiro est\u00e1gio da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O per\u00edodo de intoxica\u00e7\u00e3o ocorre de 3-6 dias ap\u00f3s o in\u00edcio da doen\u00e7a, estabelecendo-se pelo retorno da febre, prostra\u00e7\u00e3o, n\u00e1useas, v\u00f4mitos, dor epig\u00e1strica, icter\u00edcia, oliguria e disfun\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea. A viremia termina e surgem os anticorpos no sangue. Esta fase evolui para a disfun\u00e7\u00e3o e, na sequ\u00eancia, fal\u00eancia de v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os e sistemas em decorr\u00eancia elevado n\u00edvel de citoquinas inflamat\u00f3rias liberadas no sangue.<\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico laboratorial da febre amarela \u00e9 realizado por exames sorol\u00f3gicos (ELISA), detec\u00e7\u00e3o do genoma viral atrav\u00e9s da \u201cpolymerase chain reaction\u201d (PCR), isolamento do v\u00edrus, histopatologia e imuno-histoqu\u00edmica de material biopsiado ou necropsiado.<\/p>\n<p>Na fase inicial da febre amarela os testes r\u00e1pidos incluem os exames de PCR para<br \/>\ndetectar o genoma viral no sangue e nos tecidos e o exame sorol\u00f3gico para identificar o anticorpo IgM (marcador de fase aguda). O teste de amplifica\u00e7\u00e3o isotermal \u2013 RT-LAMP tem se mostrado promissor. A confirma\u00e7\u00e3o da febre amarela pode ser confirmada tamb\u00e9m com a detec\u00e7\u00e3o de anticorpos da classe IgG na fase de convalescen\u00e7a da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico diferencial envolve v\u00e1rias doen\u00e7as dependendo da fase evolutiva. S\u00e3o<br \/>\nexemplos: hepatites virais, influenza, dengue, mal\u00e1ria, leptospirose, febre Q e outras mol\u00e9stias virais que causam hemorragia (v\u00edrus marburg, v\u00edrus ebola, febre lassa).<\/p>\n<p><strong>Tratamento<\/strong><\/p>\n<p>O tratamento consiste em medidas de suporte de vida. N\u00e3o h\u00e1 medicamento antiviral espec\u00edfico. O benef\u00edcio do uso de globulina hiperimune ou anticorpo monoclonal ainda \u00e9 incerto.<\/p>\n<p><strong>Vacina\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A vacina com v\u00edrus vivo atenuado contra a febre amarela foi desenvolvida em 1936. Existem seis tipos manufaturados de vacinas no mundo, com uma produ\u00e7\u00e3o anual estimada de70-90 milh\u00f5es de doses.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade mant\u00e9m estocadas seis milh\u00f5es de doses para casos emergenciais. Tr\u00eas milh\u00f5es foram usadas em Angola, em 2016. Pelo baixo estoque e pela apreens\u00e3o da febre amarela se espalhar para outros pa\u00edses, especialmente a \u00c1sia, a OMS considerou e aprovou o uso fracionado (1\/5) doses (0,1 ml subcut\u00e2neo) em condi\u00e7\u00f5es emergenciais. \u00c9 importante ressaltar que em Minas Gerais, a vacina aplicada n\u00e3o \u00e9 fracionada e est\u00e1 dispon\u00edvel nas unidades de sa\u00fade todos os dias.<\/p>\n<p>O risco estimado de doen\u00e7a e de morte por febre amarela em pacientes n\u00e3o vacinados que viajem para \u00e1reas end\u00eamicas \u00e9 alto (1\/1000 e 1\/5000, respectivamente).<\/p>\n<p>Em 2015, o Comit\u00ea Consultivo de Pr\u00e1ticas de Imuniza\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (Acip) recomendou que a dose \u00fanica \u00e9 adequada e suficiente para viajantes. Em julho de 2016, a Assembl\u00e9ia da OMS removeu a necessidade da dose de refor\u00e7o das normas internacionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o brasileira pela dose fracionada da vacina da febre amarela deveu-se a uma necessidade circunstancial, mas foi respaldada por \u00f3rg\u00e3os internacionais e baseada em trabalhos cient\u00edficos de repercuss\u00e3o mundial. O estudo brasileiro com a dose de 0,1 ml concluiu que a efic\u00e1cia \u00e9 semelhante a dose de 0,5 ml e a durabilidade de prote\u00e7\u00e3o \u00e9 no m\u00ednimo de oito anos. Embora a doen\u00e7a represente um grande problema para a sa\u00fade p\u00fablica nacional, pesquisadores avan\u00e7am em descobertas, como o entendimento dos corredores ecol\u00f3gicos estabelecidos pela Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica e pela Superintend\u00eancia de Campanhas e Endemias do Estado de S\u00e3o Paulo com a consequente indica\u00e7\u00e3o preventiva de vacinas, a pesquisa de novas drogas viricidas espec\u00edficas e a realiza\u00e7\u00e3o inusitada de transplante de f\u00edgado para o tratamento da hepatite fulminante causada pelo v\u00edrus da Febre Amarela.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/letra-de-medico\/febre-amarela-a-doenca-e-a-vacina\/\">Fonte <\/a>(adaptado)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a causada por v\u00edrus, transmitida por mosquito, muitas vezes mortal e na sua forma grave apresenta disfun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica, fal\u00eancia renal, dist\u00farbios de coagula\u00e7\u00e3o e choque. 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