Categoria: Diabetes

Covid-19: por que o exercício é fundamental para diabéticos

Em tempos que somos convidados a repensar nossos hábitos de vida, os indivíduos com Diabetes se veem no grupo de risco frente a esta nova pandemia. Fato este comprovado em estudos recentes em indivíduos que contraíram a Doença por Coronavírus 2019 (COVID-19).

Indivíduos com diabetes mellitus (DM), hipertensão e obesidade grave (IMC ≥ 40 kg / m2) são mais propensos a serem infectados e apresentam maior risco de complicações e morte por COVID-19. Curiosamente, os indivíduos com diabetes possuem um risco aumentado para  Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e Síndrome Respiratória do Meio Leste (MERS (CDC, 2020).

Em estudo conduzido por Xiaobo Yang et al. (2020), o diabetes esteve presente dentre as comorbidades mais prevalentes em 32 pacientes não sobreviventes de um grupo de 52 pacientes da unidade de terapia intensiva no hospital de Wuhan Jin Yin-tan (Wuhan, China)  com COVID-19. No estudo de Xiaobo o diabetes foi prevalente em 22% dos casos. Outro estudo conduzido por Guan et al. (2020) o qual  incluiu 1099 pacientes com COVID-19 , o diabetes mellitus apareceu em 16,2% dos casos (175 pacientes). Em um terceiro estudo coordenado por Zhangg et al. (2020), de 140 pacientes que foram admitidos no hospital com COVID-19, 12%(17 pacientes) tinham diabetes. 

Notavelmente, dentre as comorbidades mais frequentes relatadas nesses três estudos de pacientes com COVID-19 o diabetes sempre esteve entre as 3 comorbidades mais frequentes.

Indivíduos com Diabetes têm maior chance de infecção pela covid-19?

A resposta é sim! É fato que níveis altos de glicose e o diabetes são preditores independentes de mortalidade em pacientes com SARS. Os mecanismos potenciais que podem aumentar a suscetibilidade a COVID-19 em pacientes com DM incluem: 

1) maior ligação celular por afinidade e entrada eficiente do vírus;

2) diminuição da depuração viral, ou eliminação do vírus;

3) diminuição da função das células T ou células de defesa imunológica;

4) aumento da suscetibilidade à hiperinflamação e tempestade de citocinas;

5) presença de doença cardiovascular (DCV).

Exercício como ferramenta do controle da glicemia e melhoria do sistema imunológico

De acordo com Associação Americana de Diabetes (ADA), a adoção e manutenção da atividade física como hábito são focos críticos para o gerenciamento da glicose no sangue e a saúde geral em indivíduos com diabetes e pré-diabetes. A atividade física inclui todo movimento que aumenta o gasto de energia, enquanto o exercício é planejado, ou seja, uma atividade física estruturada. O Exercício Físico melhora o controle da glicemia no diabetes tipo 2, reduz fatores de risco cardiovascular, contribui para a perda de peso e melhora o bem-estar.

A prática de exercício físico é determinante na prevenção do diabetes tipo 2 e no tratamento de todas as formas de diabetes mellitus (DM). Benefícios adicionais incluem a redução do risco cardiovascular, promoção do bem-estar e controle do peso corporal e da adiposidade. Ainda assim, constata-se que o exercício físico não vem sendo rotineiramente prescrito, tampouco orientado de maneira adequada, para o indivíduo com DM (SBD, 2020). 

Além disso, fatores como a resistência à prática do exercício, o receio das hipoglicemias e a incapacidade de gerenciar a terapia nutricional e farmacológica são algumas das restrições que afastam os indivíduos com diabetes da prática esportiva. Algumas estratégias podem aumentar a adesão e manutenção do exercício físico, como estabelecer metas específicas e usar ferramentas de automonitorização. Para isso segue o passo a passo para que o diabético realize o exercício físico com segurança e possa ter benefícios relacionados à sua condição:

  1. O primeiro passo é a consulta médica e acompanhamento regular por este profissional e consequente liberação para a prática segura do exercício físico.
  2. Após a liberação médica realize o exercício físico sob a supervisão de um profissional graduado em Educação Física e de preferência especialista em exercício físico para grupos especiais (diabéticos, obesos, etc.). O ideal é solicitar seu número de registro no Conselho Federal de Educação Física e sua especialização nesta área;
  3. Realize juntamente com o acompanhamento do profissional de Educação Física o acompanhamento com um profissional em Nutrição. 

Com a glicemia sob controle o risco dos diabéticos apresentarem complicações e vir a óbito diminui substancialmente. E o exercício físico combinado com o acompanhamento médico e nutricional são ferramentas de extrema importância para o diabético conseguir estabilizar sua glicemia em níveis seguros nestes tempos de pandemia por Covid-19 e também após a pandemia. Se cuide, vai passar!

Rua da Bahia, 317 – Centro – Pirapora – MG

Contato: (38) 99837-2792

Referências bibliográficas:

Yang X, Yu Y, Xu J. Clinicalcourseandoutcomesofcriticallyillpatientswith SARS-CoV-2 pneumonia in Wuhan, China: a single-centered, retrospective, observationalstudy. Lancet Respir Med. 2020 doi: 10.1016/S2213-2600(20)30079-5. Published online Feb 24.

Guan W, Ni Z, Hu Y. Clinicalcharacteristicsofcoronavirusdisease 2019 in China. N Engl J Med. 2020 doi: 10.1056/NEJMoa2002032. Published online Feb 28.

Zhang JJ, Dong X, Cao YY. Clinicalcharacteristicsof 140 patientsinfectedby SARS-CoV-2 in Wuhan, China. Allergy. 2020 doi: 10.1111/all.14238. published online Feb 19.

Centers for DiseaseControlandPrevention. National Diabetes StatisticsReport, 2020. Atlanta, GA: Centers for DiseaseControlandPrevention, US Departmentof Health andHuman Services, 2020.

Yang JK, Feng Y, Yuan MY, Yuan SY, Fu HJ, Wu BY, Sun GZ, Yang GR, Zhang XL, Wang L, Xu X, Xu XP, Chan JC. Plasma glucose levelsand diabetes are independentpredictors for mortalityandmorbidity in patientswith SARS. DiabetMed 23: 623–628, 2006.

Diabetes Care 2016 Nov; 39(11): 2065-2079.https://doi.org/10.2337/dc16-1728

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira dediabetes. 2019-2020 Rio de Janeiro: 2020. Disponível em:https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/DIRETRIZES-COMPLETA-2019-2020.pdf

Diabetes Canada ClinicalPracticeGuidelines Expert Committee, Sigal RJ, Armstrong MJ, Bacon SL, Boulé NG, Dasgupta K, Kenny GP, Riddell MC. PhysicalActivityand Diabetes.Can J Diabetes. 2018 Apr;42 Suppl1:S54-S63. ói: 10.1016/j.jcjd.2017.10.008.

Dicas para controlar sua diabetes

Dezesseis milhões de brasileiros sofrem de diabetes, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ainda segundo esses dados, a taxa de incidência da doença aumentou 61,8% nos últimos dez anos, o que é muito grave!

Antes de tudo, é importante saber exatamente do que se trata a doença. A diabetes é uma síndrome metabólica que ocorre pela falta de insulina ou pela incapacidade dela exercer sua função da forma correta, gerando aumento da glicose (açúcar) no sangue. 

Existem três tipos de diabetes, a chamada pré-diabetes, quando uma pessoa tem potencial para desenvolver a doença; a diabetes tipo 1, quando o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina; e a diabetes tipo 2, quando ocorre a diminuição da insulina e um defeito na sua ação, também chamado de resistência à insulina. O tipo 1 apresenta sintomas clínicos, como aumento de frequência urinária, sede, fome, perda de peso, infecções recorrentes e cansaço. Já o tipo 2 é assintomático, o que alerta a importância de manter os exames em dia. 


Imagem | Quando uma pessoa sem diabetes faz uma refeição x Quando uma pessoa com diabetes faz uma refeição 

Quando você controla a doença com uma dieta adequada, atividades físicas, medicamentos, além das aplicações de insulina (se este for o caso), é possível evitar complicações. 

Hoje, dia mundial do controle da diabetes, trazemos algumas dicas para ajudar você a viver com mais qualidade de vida! 

✔️ O controle glicêmico é o principal cuidado: a taxa de glicose deve estar entre 80 e 130 em jejum, de maneira geral. Após as refeições, essa taxa deve estar entre 160 e 180;

✔️ Dieta: o cumprimento da dieta alimentar adequada é fundamental para evitar o aumento da taxa de glicemia e outras complicações. 

Comer alimentos ricos em fibras e evitar alimentos ricos em gordura e açúcar em todas as refeições é a principal medida para aprender a conviver com a diabetes. Por isso, devem fazer parte da sua rotina: carboidratos complexos (pão, massas, bolos ou biscoitos integrais); cereais integrais (chia, linhaça, etc); legumes; frutas (maçã, pera, laranja, uva, melancia, melão – sempre com casca); queijo branco; leite e iogurte desnatados; adoçante stévia e carnes magras. 

Outra dica é comer sempre em pequenas porções, no mesmo horário e evitar ficar muitas horas sem se alimentar! 

Quando for consumir algum tipo de fruta é importante que isso seja feito depois de uma refeição principal, como almoço e jantar, nunca isoladamente. Esse cuidado deve ser tomado porque as frutas têm açúcar, e não só a frutose. Além disso, reforce o hábito de não beber sucos da fruta. Os sucos precisam ser evitados, porque tem uma absorção muito rápida do açúcar. 

✔️ Atividade física: você já deve ter ouvido falar que a prática regular de atividade física previne uma série de doenças e serve como controle de muitas. Pois é, não é diferente com a diabetes. O exercício físico, nesse caso, é mesmo um santo remédio! Ele estimula a produção de GLUT-4, uma proteína que recolhe a glicose que sobra no organismo para jogá-la dentro da célula. Assim, você precisa de menos insulina para absorver o açúcar! Além disso, praticar atividades físicas é muito benéfica para evitar complicações na diabetes tipo 2, como hipertensão, obesidade e aumento do colesterol. Então fica aqui o lembrete: não relaxe e movimente o corpo, do contrário a glicemia voltará a subir!

Alguns cuidados durante e depois da prática: 

– Hidrate-se muito bem;

– Meça a glicemia a cada hora;

– Coma algum tipo de carboidrato, vale uma barrinha de cereal;

– Quando terminar, verifique sua glicose para evitar uma hipoglicemia tardia;

– Os exercícios diminuem sim a glicemia, mas em hipótese alguma reduza a dose do seu medicamento por conta própria!

✔️ Acompanhamento médico: a realização de exames e o acompanhamento médico são essenciais para diagnosticar e monitorar a diabetes! 

EXAMES A SEREM REALIZADOS PERIODICAMENTE

Glicemia: mede as taxas de açúcar no sangue;

Hemoglobina glicada: investiga as células do sangue e define a média da glicose do trimestre;

Glicemia pós-prandial: avalia o nível de glicose depois de uma refeição (ideal para ajustar doses de remédio);

Frutosamina: estuda as proteínas no sangue e define a média de glicose de 2 semanas. 

Ter diabetes não é viver com restrições, mas aprender a compreender o que acontece no seu corpo e se importar um pouquinho mais com os seus hábitos!

Conte com o Gerardo Trindade para cuidar da sua saúde!


Dia Internacional do Diabético: dicas para viver melhor

A diabetes atinge milhões de brasileiros, mas o diagnóstico não deve ser encarado como uma sentença de falta de qualidade de vida. Embora a doença seja crônica, progressiva e sem cura é possível, através de hábitos saudáveis e acompanhamento constante, ter uma vida normal e saudável!

Existem basicamente três tipos de diabetes: a diabetes tipo I, diabetes tipo II e a diabetes gestacional. A diabetes tipo I surge mais comumente na infância e na adolescência e tem forte componente autoimune. O organismo produz anticorpos anti-insulina ou anti-pâncreas. A diabetes tipo I quando o pâncreas deixa de produzir a insulina, hormônio que leva a glicose, ou seja, o açúcar dos alimentos, ao interior das células para ser transformado em energia. Sem insulina, a glicose vinda da alimentação não consegue entrar dentro das células, que ficam sem “combustível” para produzir energia e a pessoa passa a ter que usar insulina injetável para repor o hormônio que o organismo não produz mais.

Imagem: o que acontece no corpo de que tem Diabetes tipo I

A diabetes tipo II costuma ser diagnosticada na fase adulta, geralmente após os 40 anos, em adultos com sobrepeso e ocorre quando o excesso de gordura no organismo leva a uma resistência das células à ação da insulina e a glicose se eleva de forma progressiva. O pâncreas começa a produzir um excesso de insulina para tentar transportar a glicose para dentro das células. Após algum tempo, o excesso de trabalho do pâncreas leva-o a falência e a pessoa passa a necessitar de insulina, como na diabetes tipo I.

Imagem: o que acontece no corpo de quem tem Diabetes tipo II

Já a diabetes gestacional surge na gravidez em mulheres com predisposição, geralmente já obesas, e pode ou não persistir após o parto. Ter diabetes gestacional é um grande fator de risco para a diabetes tipo II no futuro.  Na maioria dos casos, não há nenhum sintoma aparente. Por isso, os exames glicemia em jejum e glicemia pós-dextrosol são usados para o diagnóstico e acompanhamento da diabetes gestacional.

Em todos os casos de diabetes, o diagnóstico é feito através do exame de sangue em jejum de 8 horas, devendo ser confirmado em outra dosagem de glicose feita em dia diferente:

– Glicemia normal: Até 99 mg/dL em jejum

– Glicemia de jejum alterada: De 100 a 125 mg/dL em jejum

– Diabetes: Superior a 126 mg/dL em jejum ou superior a 200 mg/dL sem jejum

A glicemia de jejum alterada é considerada um estado pré-diabético e requer atenção redobrada. Após o diagnóstico da diabetes o acompanhamento da glicemia em jejum é recomendada bem como a dosagem trimestral  da hemoglobina glicada, que consegue detectar se a glicemia está sendo bem controlada ao longo do dia com o tratamento. A hemoglobina glicada também é usada para verificar se o diabético está seguindo o tratamento corretamente, já que o excesso de glicose se liga às hemácias de forma irreversível.

O diabético não tratado tende a desenvolver a longo prazo problemas cardíacos, renais e oculares, por isso a importância de se alimentar corretamente, tomar os medicamentos indicados pelo médico e fazer exercícios. A boa notícia é que dá pra viver normalmente com a doença, através da tríade: alimentação saudável, exercícios físicos e medicamentos.

É importante para o diabético evitar a gordura saturada, muito presente nas carnes vermelhas, no leite integral e na manteiga, além de alimentos muito salgados, para evitar problemas renais e hipertensão. Além disso, o açúcar – em todas as suas versões – deve ser completamente descartado da alimentação, já que é absorvido imediatamente pelo organismo, elevando a glicemia rapidamente. Os carboidratos ingeridos devem ser integrais, ricos em fibras, que retardam a liberação do açúcar do intestino para o sangue.

Uma ótima dica é adicionar farelos de aveia em todas as refeições, por causa do seu alto teor de fibras. As frutas contém um açúcar chamado frutose que é quebrado em glicose no intestino. Algumas frutas – como melancia – contém um teor maior de frutose, devendo ser ingeridas com moderação e acompanhada de farelo de aveia para diminuir a velocidade de liberação da glicose para o sangue.

A prática de exercícios é essencial para o controle da diabetes, já que o exercício favorece o emagrecimento e diminui a resistência à insulina causadora do diabetes tipo II. Alguns exercícios que contribuem para controlar a glicose são os exercícios aeróbicos, que favorecem a perda de peso.

Alimentação saudável, medicação correta (indicada pelo seu médico), exercícios e exames regulares formam o quarteto perfeito para você controlar a sua glicemia sob controle. Conte com o Laboratório Gerardo Trindade para uma maior qualidade de vida!

Novo marcador indica risco de Diabetes: Saiba mais!

Uma pesquisa realizada na Harvard Medical School, nos Estados Unidos, com participação da USP, revelou que o escore de lipoproteínas associadas à resistência insulínica (LPIR), é um marcador que pode detectar mais precocemente o risco de desenvolver diabetes tipo 2, mesmo em pessoas que possuem peso, glicemia e colesterol normais.  Mas o que esse LPIR? Trata-se de um marcador composto baseado em seis partículas de colesterol (lipoproteínas), extremamente sensíveis à resistência insulínica, mecanismo ligado ao desenvolvimento de diabetes tipo 2. A partir desses números é feito um escore ponderado que pode variar de 0 a 100,  no qual valores maiores indicam maior risco de diabetes tipo 2.

Ler mais