Categoria: Álcool

Os efeitos do álcool no organismo

Mais de 3 milhões de pessoas morrem todos os anos pelo uso nocivo de bebidas alcoólicas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Mesmo assim, o número parece não servir de alerta para que a população repense seu consumo. Será?

Antes de qualquer coisa, é importante destacar que não existe dose segura de álcool. Mesmo o consumo esporádico pode causar alterações significativas e quase imediatas na concentração plasmática de alguns metabólitos, por exemplo, glicose, ácido láctico e triglicérides, fora as consequências a médio e longo prazo.

O principal fator de alerta é a rápida absorção do álcool. Assim que você o consome, ele é absorvido pelo estômago e duodeno. Depois disso, cai rapidamente na circulação sanguínea. O fígado passa a ter a difícil missão de metabolizar a substância parcialmente, expelindo pequenas porções através da urina, suor e hálito. Acontece que o que sobra do álcool tem ações em todo organismo, e precisa fazer várias passagens pelo fígado para ser destruído completamente, por assim dizer. Uma taça de vinho, por exemplo, leva aproximadamente uma hora para ser metabolizado. Imagine que você tenha tomado dez taças, serão aproximadamente dez horas com o álcool no sangue. 

QUAIS SÃO OS EFEITOS NOS ÓRGÃOS?

Cérebro

Inicialmente, o etanol (álcool metabolizado) estimula a liberação extra de serotonina. Isso faz com que você fique mais desinibido e relaxado. Ao optar por seguir bebendo, outros neurotransmissores são afetados: o  glutamato e o GABA. Depois disso, você perde a coordenação e o autocontrole. 

Estômago

O álcool que você consome irrita a mucosa do estômago, gerando aquela sensação horrível de enjoo. Por isso, quando o vômito acontece a tendência é que a sensação seja de alívio. A irritação pelas moléculas de etanol tem fim!

Fígado 

Altera a produção de enzimas, mudando o ritmo do metabolismo do álcool consumido, e podendo causar inflamação crônica, hepatite alcoólica e cirrose. 

Rins

Todo mundo sabe que quem bebe tem mais vontade de fazer xixi, mas por que isso acontece? O etanol age na hipófise, uma glândula no cérebro. E é lá que o etanol inibe a produção de um hormônio que controla a absorção de água pelos rins. Isso faz com que haja a diminuição da quantidade de líquido absorvido e aumento da quantidade de urina eliminada.  

Coração

Pelo xixi são liberados minerais importantíssimos, como magnésio e potássio, que ajudam a controlar os batimentos cardíacos. Por isso, o consumo de álcool pode causar alterações no ritmo do coração. 

QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS FÍSICAS E EMOCIONAIS A LONGO PRAZO?

Como não existe dose segura de álcool, a longo prazo ocorre uma série de problemas gastrointestinais: úlcera, gastrite, gordura no fígado (esteatose hepática), hepatite, pancreatite, cirrose; neuromusculares: cãibras, perda de força muscular, dormência, distúrbios de coordenação; cardiovasculares: hipertensão, arritmias, aumento do risco de acidente vascular isquêmico; e sexuais: redução da libido, ejaculação precoce, disfunção erétil, infertilidade.

Mas não para por aí. O consumo excessivo a longo prazo também contribui para o surgimento de transtornos mentais, como depressão, ansiedade, demência e psicose. Por quê? O álcool atua como depressor do sistema nervoso central, aumentando os riscos de mudanças de humor e comportamentais, além da depressão. Desinteresse, perda ou ganho de peso, perturbações de sono, alucinações, cansaço, fadiga, dificuldade de raciocínio, memória e concentração podem ocorrer, além de – em casos mais severos – contribuir para pensamentos suicidas. 

COMO DIFERENCIAR O CONSUMO OCASIONAL DO CONSUMO EXCESSIVO?

A principal diferença entre quem bebe ocasionalmente e quem é inclinado a se tornar um alcoólatra está na forma como estabelece limites para consumir álcool. O que isso quer dizer? Algumas pessoas bebem ocasionalmente uma taça de vinho durante o jantar, por exemplo, passam meses sem beber e ainda possuem diversas atividades prazerosas, como exercícios físicos e lazer. Outras, criam uma relação de prazer exclusivo com o álcool e só vão aumentando a dose. Nessa situação, dificilmente conseguem ir a uma festa sem ingerir a substância. Seu padrão de consumo passa a ser constante e descontrolado, comprometendo sua saúde física, mental, familiar e social. 

COMO AJUDAR UM ALCOÓLATRA?

Primeiramente, é importante oferecer seu apoio. Depois, o alcoólatra precisa procurar ajuda médica; com a finalidade de fazer alguns exames e, com orientação do especialista, passar pelo tratamento mais indicado. Quase todos os tratamentos de alcoolismo incluem também um grupo de apoio, formado por alcoólicos anônimos (AA). Os dois juntos potencializam as chances de responder de forma positiva ao tratamento e mudar completamente de vida!

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Enfrentando o alcoolismo

O uso nocivo de álcool mata mais de 3 milhões de pessoas a cada ano, é o que revela o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), realizado em 2018. O alcoolismo não é diversão, lazer e muito menos algo que “passa sozinho”. Pelo contrário, é uma doença crônica, caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool, na qual a pessoa se torna progressivamente tolerante à intoxicação produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstinência, quando a mesma é retirada. Cada pessoa tem suas individualidades em relação a condição, que pode variar em termos de aspectos comportamentais e socioeconômicos.

Alguns fatores como predisposição genética, angústia, insegurança, ansiedade, depressão e aspectos culturais podem estar associados à doença. O hábito merece uma atenção especial na adolescência, quando os jovens começam a frequentar reuniões sociais e ter fácil acesso ao álcool.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem algumas diretrizes que nos ajudam a identificar os sinais do alcoolismo. As mais comuns são:

Tolerância ao álcool: necessidade de doses cada vez mais maiores de álcool para atingir o mesmo efeito obtido anteriormente ou efeito cada vez menos com a mesma dose;

Persistência no consumo mesmo em situações inadequadas: a pessoa insiste em continuar fazendo uso da substância mesmo sabendo que ela traz danos à saúde, principalmente em situações como: lesões hepáticas causadas pelo consumo excessivo de álcool, humor deprimido ou perturbação das funções cognitivas relacionada ao consumo do álcool;

Abstinência: quando o uso do álcool é interrompido ou reduzido drasticamente a pessoa entra nesse processo, que pode incluir dores de cabeça, náuseas, tremores, ansiedade, alucinações e convulsões;

Abandono de aspectos importantes da vida: a pessoa está tão focada em conseguir e consumir o álcool que já não aparece nas reuniões de família, falta  e/ou perde o trabalho, esquece de datas importantes e se distancia da família e amigos que não compartilham de sua necessidade.

Os impactos do álcool no organismo são muitos, principalmente quando seu uso é prolongado. Devido a sua ação tóxica, pode provocar danos ao sistema nervoso, com a possibilidade de causar demência, bem como diminuição da sensibilidade e da força muscular nas pernas. Outras consequências podem ser sentidas no estômago (gastrites, úlceras, pancreatite); no sistema circulatório (aumento de risco de miocardites, pressão alta, acidentes vasculares e cerebrais, além de aterosclerose, ou seja, o acúmulo de placas de gordura nos vasos sanguíneos. O álcool também pode contribuir para o desenvolvimento de câncer no trato intestinal, na bexiga, próstata e outros órgãos.

Como os aspectos da doença não são somente físicos, mas também comportamentais, o tratamento privilegia a união do tratamento de desintoxicação e reabilitação. A desintoxicação é realizada quando o paciente fica por alguns dias sob supervisão médica, permitindo combater todos os efeitos agudos da retirada do álcool que, em casa, a família não conseguiria lidar. A reabilitação, por sua vez, começa quando os sintomas agudos e as crises de abstinência são controlados. Existem programos específicos para esse tipo de tratamento e acompanhamento, o grupo de Alcoólicos Anônimos é um deles.

A convivência é outro ponto importante. Quanto mais próxima a família estiver, menor a chance da pessoa desistir do tratamento. Além disso, o alcoólico não deve ter fácil acesso às bebidas alcoólicas em sua própria casa ou em festas de amigos. É importante mantê-lo responsável por suas próprias ações, mas ter uma atenção especial ao contexto social.

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O caminho e os efeitos do álcool no organismo

O que acontece no nosso corpo quando bebemos? O principal ingrediente das bebidas alcoólicas é a molécula de etanol. Acompanhe o trajeto do etanol pelo organismo e o que ele provoca!

No estômago

25% do etanol é absorvido no estômago. O etanol das bebidas irrita a mucosa do estômago, dificultando a digestão e aumentando a produção de ácido gástrico no órgão. Isso gera aquela sensação de enjôo e a vontade de vomitar. O vômito funciona como um mecanismo de autodefesa, comandado pelo cérebro, contra a ação agressiva do álcool no estômago. Por isso a pessoa se sente mais aliviada após vomitar, porque termina a irritação da mucosa pelas moléculas do etanol.

No intestino delgado

O restante do etanol só cai na corrente sanguínea quando a bebida chega ao intestino delgado – órgão cheio de vasos e membranas permeáveis. São necessários de 15 a 60 minutos para todas as moléculas de etanol entrarem na circulação e se espalharem pelo corpo. Esse tempo depende de fatores como, por exemplo, a presença de comida no estômago e a velocidade com que a pessoa bebeu.

No fígado

90% das moléculas de etanol são metabolizadas no fígado – o etanol é transformado em acetaldeído e, em seguida, em acetato. O acetato é eliminado pela urina. Porém, dependendo da quantidade de álcool ingerida, o organismo não consegue eliminar todo o álcool e o acetaldeído cai na corrente sanguínea, produzindo efeitos diversos em vários órgãos do corpo. O acetaldeído é o culpado pela ressaca que nos acomete após beber demais (veja o quadro no final deste post). O fígado consegue processar por hora somente o equivalente a uma lata de cerveja. Acima disso, o etanol passa a intoxicar o organismo.

Nos rins

Quem bebe tem mais vontade de fazer xixi e isso não acontece só pela quantidade de líquido ingerido. O acetaldeído age na hipófise, uma glândula localizada cérebro. Lá, ele inibe a produção do hormônio ADH (também chamado vasopressina), que controla a absorção de água pelos rins. Com menos líquido absorvido, mais urina é eliminada.

No coração

Um efeito colateral do excesso de urina acaba atingindo o coração. É que pela urina são eliminados minerais, como magnésio e potássio, que ajudam a manter o batimento cardíaco. Durante e após uma bebedeira o ritmo do coração pode apresentar alterações devido à perda do potássio, principalmente.

No cérebro

Quando o etanol carregado pelo sangue chega ao cérebro, ele estimula os neurônios a liberar uma quantidade extra de serotonina. Esse neurotransmissor regula o prazer, o humor e a ansiedade. Por isso, um dos primeiros efeitos do álcool é deixar a pessoa desinibida e eufórica.

Se a pessoa continuar bebendo, outros dois neurotransmissores são afetados. O etanol inibe a liberação do glutamato, que regula o GABA. Sem o controle do glutamato, mais GABA é liberado no cérebro. Como esse neurotransmissor faz os neurônios trabalharem menos, a pessoa perde desde a coordenação até o autocontrole.

Como a ingestão de álcool atinge diferentes regiões do cérebro e altera os sentidos:

  1. Quando a bebida alcança o lobo frontal, surge a sensação de alegria. A pessoa fica mais falante, ainda sem prejuízo do raciocínio.
  2. Ao atingir os lobos parietal e temporal, começam os problemas. A pessoa pode cometer um desatino, como cruzar um sinal vermelho, por exemplo.
  3. Se chegar ao lobo occipital, responsável pelo movimento e pela visão, torna-se difícil ficar em pé e andar direito. A visão torna-se embaçada.
  4. O cerebelo comanda os reflexos. Quando a região é atingida pelo álcool, a coordenação motora fica bastante comprometida.
  5. O tronco encefálico controla a respiração. O álcool demora a afetar essa área, mas  quando afeta leva à inconsciência e ao coma, por insuficiência respiratória e cardíaca. A única defesa do corpo, então, é provocar um desmaio para a pessoa parar de beber.

SEMPRE QUIS SABER: POR QUE TEMOS RESSACA?

A culpa é de uma substância chamada acetaldeído. Se a ingestão for pequena, o fígado dá conta de metabolizar o álcool, que vira acetaldeído. Este, por sua vez, se transforma em acetato (não prejudicial ao organismo). Em altas doses, porém, essa transformação é mais lenta e o acetaldeído acaba se acumulando e indo parar na corrente sanguínea.

Lá, ele provoca todas as reações desagradáveis da ressaca. Essa substância também atua diretamente no sistema nervoso central e há uma suposição de que ela dilata os vasos sanguíneos, causando pressão baixa, taquicardia, tontura, vermelhidão, dor de cabeça, aumento da temperatura do corpo e alterações no sistema digestivo – origem das náuseas e vômitos. Além disso, o acetaldeído inibe o hormônio antidiurético, o que faz a pessoa urinar mais e, por isso, perder líquido. Daí vem a sensação de boca seca e a necessidade de beber água.